Ultor: Estou preocupado com eles...
Danto: Não se preocupe tanto, Ultor. Raid é forte, e Stratet, mais ainda, quer dizer, ela conseguiu vençer ele né?
Ultor: Sim, é verdade. Os cavaleiros reais são conhecidos por todo o continente. Por sua habilidade quase implacável... Falando nisso... Raid é um deles mesmo, não é? Não sabia disso quando duelei com ele...
Danto: Ah sim! Me lembro do duelo de vocês... Você luta bem, também Ultor... Mas eu achei estranho...Ele parecia que ia perder no início...
Ultor: Conheci o Raid há pouco tempo, mas... Consigo sentir. A pura presença dele, o olhar em combate, a maneira como ele lutou... Quase poderia dizer que ele não é humano. Mas não é só com ele que eu sinto isso... Stratet e até você Eliza... Parecem um mistério para mim... Como se seus espíritos fossem uma enorme aventura a ser desbravada...
Eliza estava com o olhar mais sério do mundo. Nada parecia ter capacidade de assusta-la ou amedronta-la. Seu olhar chegava a dar medo, tamanha concentração parecia ser capaz de mover qualquer montanha. Talvez fosse este tipo de coisa que intrigava tanto Ultor.
Seu olhar e concentração eram tão titânicos que nem mesmo uma das palavras que foram ditas entraram em sua mente. A dama ruiva, sem querer, acabara ignorando Ultor.
Fred: Ryyyyyya!
Danto: Fred? O que foi?
Finalmente Eliza parecia lembrar-se do mundo a sua volta e, mudando a sua feição para uma mais atenta e um muito mais preocupada com o que acontecia ao seu redor, volta-se para Danto. Ultor a acompanhara, pois percebera que já haviam andado consideravelmente.
Ultor: O dragão? Está... Farejando alguma coisa...
Eliza: Danto, o que ele está dizendo?
O jovem agora agachava-se para ficar mais próximo de seu companheiro e dar mais atenção ao mesmo.
Danto: Sério! Você sentiu o cheiro do Raid e o cheiro da Stratet? E tinha mais um que você não conseguiu definir... obrigado, Fred...
Eliza: Espera...Olhem em volta...
Ultor: Nós...não estamos no mesmo lugar, estamos?(Observando as árvores jovens e os troncos cortados no chão)
Danto: Árvores menores...? Mas não andamos muito mais que alguns metros...
Ultor: Isso é sinal de que tem alguém que mora por aqui... Quando eu morava com meu irmão e minha mãe, os costumávamos cortar lenha todo o dia e vender os troncos no final do ano para ganhar um dinheiro a mais. E assim que cortávamos uma árvore, plantávamos novas nos lugares. Tenho certeza que o mesmo aconteceu aqui...
Eliza: Faz sentido... Deve ter alguma lenhadora ou alguma pessoa por aqui e eles dois tentaram fazer contato. Quem sabe descobrissem algum atalho para a costa ou quem sabe, tivessemos uma refeência mais exata de onde estamos localizados...
Danto: Sim, isso ajudaria... Vamos seguir o rastro, não vamos?
A dama ruiva, assim como o espadachim moreno, não dizem nada, apenas acenam com a cabeça.
O grupo seguiu caminhando, desta vez, em silêncio. O sol estava começando a nascer e sua luz colossal começara a limpar as trevas do céu. Agora o caminho estava iluminado e muito mais visível.
Danto: Olha só! O sol já saiu! Olha que bonito!
Ultor: Sim... Já fazia um tempinho que eu não via o céu iluminado assim!
A dama, porém, não responde nada, pois, em seguida, para de caminhar.
Danto: O que foi, Eliza?
Eliza:... Espera...
A feiticeira então corre rapidamente desviando do caminho original e acaba descobrindo uma enorme área aberta. Pouquíssimas eram as árvores e arbustos visíveis. A dama quase conseguia avistar o horizonte, porém, uma grande construção de pedra a inibia. Muros de pedra, portas e janelas em forma de arcos e até mesmo torres nas quatro pontas da muralha principal.
Sim, Eliza havia descoberto um pequeno castelo. Era uma coisa muito estranha existir um castelo no meio do nada. O que será que podia estar acontecendo? Havia uma pequena muralha de pedra que praticamente contornava o castelo deixando apenas uma abertura de saída e entrada.
Atrás das muralhas era possível observar apenas uma torre central que se sobressaia às outras. No topo desta torre principal, assim como em qualquer castelo, podia-se visualizar uma bandeira hasteada. Esta bandeira era vermelha e possuía com um símbolo amarelo escuro, quase dourado. Um símbolo que se assemelhava a um a letra M estilizada. Pareciam as prezas de uma cobra ou algum réptil venenoso.
Eliza: Víbora...(de boca aberta e quase "assoprando" as palavras)

Castelo? Planície? Se há um castelo, devem haver pessoas e se há pessoas, com certeza estais perto de alguma cidade. A floresta acabara e começara a planície. Isto quer dizer que o grupo está próximo de seu destino, porém, e quanto aquele castelo? Eliza pareceu identificar a bandeira, o que será que a mesma deve significar?
Desta vez, não somente a Eliza, a Rainha do Vento, como até mesmo Danto e Ultor estavam preparados para uma batalha. Não era apenas desconfiança, eram os corações dos guerreiros que batiam gritando: "Prepare-se para a guerra!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário