Um reencontro pode ser o nascimento de uma nova jornada.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Escarlate-(34)- As vozes da clara escuridão.

 Enquanto Raid o resto da noite se passava, todos repousavam, porém, Danto encontrava-se em um mundo desconhecido dele, o mundo dos sonhos.
 O garoto andava em um espaço vazio. Não podia ver nada a sua frente. Não via chão aos seus pés e nem mesmo um céu sobre sua cabeça.
 Perdido, e confuso, impressionou-se o garoto com o aparecimento de algo familiar e, ao mesmo tempo, misterioso. Algo que começara a envolver o jovem. Quando finalmente pode reparar, Danto vê-se envolto em chamas, chamas estas que nunca haveria antes sentido parecidas. Por mais que queimassem a sua pele, parecia que de tão quente que eram essas chamas elas davam ao garoto uma sensação muito boa.

      

 Apreciando não só a beleza destas incríveis chamas, como também a estranha sensação que elas traziam para o corpo do garoto, Danto começa a movimentar-se dentro daquela vastidão branca. Ao dar um único passo, o fogo que o envolvia separa-se do seu corpo como se possuísse vontade própria e começa a ser canalizado logo a sua frente e formando uma branca silhueta.
 Esta silhueta era de uma espada, mas não uma espada comum e sim uma kataná. Mas não qualquer kataná, algo muito raro, talvez até lendário.
 Danto, fascinado pelo evento que acontecera envolvendo as agradáveis chamas e uma imagem que lhe era tão familiar, tenta avançar até aquela imagem. Ao toca-la, quase em seguida, a imagem desaparece sem deixar rastro algum.
 O semi-samurai, confuso e maravilhado, ouve uma voz. A voz de uma garota que parecia ser muito nova e inocente.
 Voz: Você é fraco...
 Danto vira-se em poucos segundos e olha ao seu redor e procura alguém ou alguma coisa, porém, não há sucesso algum.
 Danto: Quem está aí?! Me diga?!
 Esperando uma resposta, o garoto ouve uma nova voz. Novamente uma voz feminina, porém, esta parecia ser mais velha.
 Voz: Quanta bondade...
 Danto: O- O que está acontecendo?! Tem mais alguém aí???!!!!
 O desespero começa a consumir o jovem, pois, não sabia por que, mas, tudo aquilo lhe dava arrepios. Arrepios que ele mesmo jamais haveria sentido antes, quando, finalmente uma terceira voz misteriosa nasce daquele vasto vácuo branco.
 Voz: Desista de sua busca!
 Desta vez, não era uma voz feminina, e sim a de um homem, uma voz que amedrontava o coração de Danto. Danto estava consumido pelo medo de tudo o que estava acontecendo. Este medo era tanto, que, Danto não aguentou e lançou ao espaço um alto grito. Parecia que o desespero e o medo o fizeram gritar tão alto para que tentasse fazer as outras vozes o ouvirem também.
 Danto: EU TENHO A CORAAAAAAAAAAAAAAAGEEEEEEEEMM!!!!!!!!
 Quando se tocou , Danto estava na sua cama dentro da cabana de Eliza, a mesma estava sentada ao lado da cama com um olhar preocupado que visava Danto.
 Eliza: Você-Você está bem?!
 Danto: Acho que agora sim... O que aconteceu, Eliza?
 Eliza: Você estava dormindo, quando percebi que você tinha começado a suar e a tremer, então resolvi ficar do seu lado até acordar. Agora você tá melhor? Como se sente?
 Danto: Eu tô bem, acho que estava sonhando, mas...
 Danto, tomado pelas lembranças daquele sonho e pelas lembranças do que sentiu no mesmo, abraça Eliza com força.
 Danto: Eu...Eu morri de medo...Eu...Eu...Eu não tenho coragem...!
 Eliza: Será?
 Danto: Como assim, Eliza...?
 Eliza: Todo mundo tem medo, a coragem é apenas a força que move alguém a enfrentar este medo.
 Danto: Mas...e se eu não conseguir me mover contra o medo de novo?
 Eliza: Bom, aí eu vou te dar um empurrãozinho, tá bom?
 Danto: Eliza...Obrigado!!
 Danto então abraçava a dama ruiva com toda a sua força e toda a sua emoção. As palavras de Eliza penetraram fundo no coração do samurai, porém, o abraço e o carinho do mesmo também penetraram no coração da maga tão fundo quanto uma lança bem manuseada penetra no peito de uma pessoa.
 Aquele sonho, ou melhor, aquele pesadelo marcou Danto. Medo. Qual poderá ser o tamanho do medo de Danto? O que poderiam ser aquelas chamas e aquela espada? E de quem podiam ser as vozes que não paravam de ecoar na mente de Danto? "Força", "Bondade" e "Busca". Estariam esses ligados? O que significa a verdadeira coragem?

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